Os Excêntricos TenenbaumWes Anderson 2001 |
|
Os Excêntricos Tenenbaums versa sobre um dos temas universais da humanidade: família. Seja família de sangue, por adoção, amor ou amizade, os laços interpessoais mais fortes que desenvolvemos ao longo da vida são os laços familiares.
A família profundamente disfuncional dos Tenenbaums é apresentada no roteiro através de uma escrita sensível e virtuosa, mesmo com um rol de personagens tão excêntricos (como indica o próprio título em português do filme). O texto escrito por Wes Anderson e coescrito por Owen Wilson apresenta diálogos profundos, sentimentais, engraçados e marcantes, tudo dentro do tom e conversando com o restante da produção audiovisual.
A direção de Wes Anderson está no ponto aqui com todos os seus trejeitos fotográficos: planos simétricos, chicotes, vista aérea. Esses planos estilizados e reconhecíveis do diretor conversam perfeitamente com a narrativa pessoal e íntima da história.
Não posso deixar de citar o excelente trabalho de todos os atores, que entregam as características marcantes — e às vezes caricatas — de seus personagens com brilhantismo. Vale citar nominalmente duas duplas.
Primeiro, Jonah Meyerson e Grant Rosenmeyer, ambos atores mirins, interpretam Uzi e Ari, filhos de Chas, um dos três irmãos da família Tenenbaum. Ambos conseguem entregar a seriedade e rigidez que o pai dos personagens exige por conta de um trauma passado, passando um tom de comédia em cenas em que executam funções de adulto, ao mesmo tempo que conseguem simplesmente ser criança com leveza nas cenas com o avô.
A outra dupla é Ben Stiller (Chas Tenenbaum) e Owen Wilson (Eli Cash), majoritariamente reconhecidos por seu trabalho na comédia (não necessariamente um bom trabalho) mas que aqui entregam a profundidade que seus personagens exigem.
Os Excêntricos Tenenbaums é um filme que fala sobre família e as complexas relações que criamos ao longo da vida. Mas é também um filme sobre redenção, sobre um pai que se arrepende da maneira como criou e deixou de criar seus filhos. Sob minha ótica, é também sobre como certas pessoas nunca encontram a redenção completa. Nós nunca seremos capazes de receber o perdão de todos aqueles que machucamos ao longo da vida. Royal nunca considerou Margot sua filha verdadeira, por ter sido adotada. Royal acha que as cicatrizes profundas nesse relacionamento podem ser resolvidas com um sundae, mas Margot deixa claro que mesmo que tolere sua figura paterna, o dano causado foi além do reparável. No enterro de Royal, Margot é a única que não ajuda a descer o caixão do pai ao solo. Toda ferida pode ser curada, mas nem toda cicatriz deve ser esquecida.