O analfabetismo funcional no X

A incapacidade crescente das pessoas de interpretar um post de 255 caracteres.

O analfabetismo funcional na internet tem me preocupado de verdade.

Sempre achei que já fosse macaco velho de internet. Frequento fóruns de discussão desde os sete anos de idade. Já interagi com muita gente, de várias faixas etárias. Pensando bem, talvez tenha sido um absurdo deixar uma criança com acesso livre à internet nessa idade, mas eram tempos mais simples. Todavia, recentemente tenho encarado uma realidade assustadora: ninguém mais sabe ler.

Esse fenômeno ficou escancarado para mim no Twitter, especialmente a partir do começo deste ano. É claro que já havia sinais antes, mas eu não tinha percebido. Pessoas discutindo e simplesmente incapazes de compreender o ponto umas das outras. Um comentário despretensioso ou inocente pode gerar um post com milhares de pessoas revoltadas, simplesmente porque o interlocutor médio atual é um analfabeto funcional.

Pode ser que isso seja um recorte muito específico do Twitter – assim espero. Também é possível que esse comportamento esteja sendo agravado por práticas como o rage baiting. As pessoas parecem ter perdido a capacidade de compreender ironia, sarcasmo ou simplesmente o bom e velho troll.

Minha análise, ainda que superficial, tende a apontar que a nova geração realmente não sabe mais interpretar texto. Talvez isso seja reflexo do avanço das redes sociais e do maior acesso à tecnologia, o que amplia o número de pessoas interagindo online e, consequentemente, também o número de pessoas com dificuldades de interpretação.

Uma hipótese mais assustadora é que as pessoas estejam transferindo sua capacidade interpretativa para as LLMs. Assim como percebi esse número gigantesco de pessoas que não conseguem entender o que estão lendo no Twitter, também notei um contingente igualmente grande de pessoas viciadas em perguntar ao Grok o que deveriam pensar sobre determinado post. Chega ao ponto de discutirem com o próprio Grok ou tentarem usar a IA para validar seus argumentos, como se as respostas de um modelo fossem o maior crivo científico possível em uma discussão.

Não sei qual dessas hipóteses é a correta, mas realmente fico receoso quanto ao futuro. Isso permeia diversas áreas. Por enquanto, é mais evidente em uma rede social de nicho como o Twitter, mas quanto tempo levará para vermos o impacto desse analfabetismo funcional no mercado de trabalho, na arte e nas próprias relações do dia a dia?

Enquanto muitos tentam se confortar com notícias otimistas sobre o futuro, a sombra que paira sobre o amanhã parece cada vez maior e mais densa. Nossa juventude cada vez mais absorvida por um sistema que exige mais e oferece menos, e o mínimo necessário para sobreviver se torna cada vez mais difícil de alcançar.

Espero estar errado, e que tudo isso seja apenas uma percepção distorcida da realidade. Na dúvida, leiam e estudem. Talvez seja o que nos resta.